sábado, 19 de dezembro de 2015

Horas de hospital


Dai vc vai ao pronto socorro porque está, com uma, dor de estômago que nunca sentiu. O médico diz "pode ser pedra nos rins, mas também pode ser algo no intestino". Vc vai fazer os exames e a enfermeira é bem legal, falando que vc pode usar o banheiro restrito ao invés de usar o comum. Vai tirar sangue, mas tem probleminha com esse tipo de agulha e tenta se concentrar em outra coisa. Se olha no reflexo dessa janela, e vê que vc está parecendo o vampiro do Crepúsculo, de tão branca. Vê um cara fazendo malabarismo com o celular, tentando tirar uma self com o acesso na veia. (vergonha alheia). Tem duas moças tomando soro ao seu lado. Uma fala de outros acidentes e de coisas piores que uma picadinha no braço. Vc fica mais branca. Faz amizade com as moças e fica na cadeira que tem revestimento de espuma pra esperar o exame ficar pronto. Todo mundo já foi embora. Mais gente chegou. Já li várias páginas do HP. Mais gente foi embora. E eu querendo limpar a luminária, que tá cheia de insetos mortos. Toc é complicado!



Amor de mochila, amor verdadeiro

Hoje eu estava falando com o terapeuta sobre como minha mochila é parceira. Ela vai pra onde eu vou (não questiona! Kkk), carrega minhas coisas, "me dá apoio" (serve de travesseiro), topa qualquer parada, etc., daí ele falou "mas vc tem que carregá - la!". Eu respondi:"sim, mas é uma troca, né? ". Hoje eu estava pensando como as pessoas tem mais meios de comunicação e não se falam. Encontram amigos em comum e dizem" que saudades da Andressa!", mas mandar uma msg que é bom, nada! Reclamam que não são chamadas para as coisas, mas tbm nunca chamam pra coisa alguma. Vocês já perceberam a dificuldade que é marcar algum coisa em grupo hj em dia? "Vamos marcar algo? VAMOS!", mas ao primeiro "eu não posso" no meio de 10, todos desistem. Não, isso não é questão de "ah Andressa, a gente quer que todo mundo possa ir". É questão de desperdiçar a chance de reunir pelo menos quem pode e está disposto, porque só estavam esperando por um motivo pra adiar. Ou por que vcs acham que dá mais certo os encontros marcados em cima da hora, dos que falam "tô indo, bora? Bora!". Mas não... Deixa pra outro dia! E se não tiver esse dia? E se amanhã alguém vai embora pra longe ou em definitivo? Nem história pra contar no velório as pessoas vão ter daqui a pouco. Ou terão! Várias assim : "fulano era bem legal! A gente se falava direto pelo whatsapp, era pra gente se encontrar, mas nunca dava certo!".E a desculpa de distância? Distância é muito relativo! Ok, não sou parâmetro, fui pra outro estado por quem eu gostava... Mas se eu não fizer o que acredito, o que vai sobrar de mim além de uma vaga lembrança de "a Andressa Michels? Aquela menina da mochila do rock, né?"

Sonhei com a Vasp...

Texto escrito em 19/12/2012:

Sonhei que ia rolar uma festa de confraternização da extinta VASP, justamente para reabrir a empresa. A ideia deles era pegar os estagiários da minha época (2004) e iniciar os trabalhos da empresa novamente. A parte da festa não era bem uma festa, parecia mais um grande treinamento, com as mesas onde trabalhávamos antes, mas os computadores não eram aqueles antigos e o sistema também não era mais o Zeus e suas letrinhas verdes! Foi legal pela parte de todo mundo se reencontrar depois de tanto tempo e tals, mas os planos da empresa foram por água abaixo porque até mesmo os melhores atendentes daquela época já estavam de saco cheio de atendimento telefônico e os que não compareceram à festa não foram porque já tinham entrado em depressão depois de 8 anos ou mais trabalhando com turismo, e tiveram um ataque de pânico ao receber tal convite, quase como os veteranos de guerras, que ficam loucos por lembrar de como foi na época em que a empresa faliu e recebíamos milhares de ligações com reclamações, além de não recebermos os últimos salários. Fim!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Voltando 20 anos

(Esse texto é uma continuação do texto anterior)

Fato é que, depois de 20 anos sem brincar com uma máquina dessas, eu passei no shopping (que eu passo todos os dias, na volta do trabalho) com uma idéia fixa:" eu vou lá pegar uma ficha e tentar pegar um bichinho! E se eu pegar, eu vou doar! Ah, a quem eu quero enganar? Se eu ganhar, vai ser o meu troféu de 20 anos de frustração superada!". 

Então cheguei lá, e não usam mais fichas. Usam cartão, e vc tem que pagar por ele também! Então escolhi a máquina de acordo com a pelúcia que parecia estar mais solta. Encarei um cocô emoji, que estava me olhando desde quando parei na porta do parque para localizar o caixa. 

Passei o cartão. Movimentei lentamente o gaaarra (tem como não lembrar do Toy Story com isso?) até onde eu imaginei que era em cima do cocô. Conferi nas outras direções, depressa, antes que "o gaaarra" tivesse vida própria. Apertei o botão. O gaaarra desceu, em câmera lenta, e fechou seus dedos ao redor do cocô, em um abraço perfeito. 

Meu coração acelerado, batendo na boca seca. Ainda em câmera lenta, ele se erguei 1cm e... TEC. O cocô e o garra ainda abraçados repousaram no monte de emocional de pelúcia , enquanto o mecanismo continuou a subir, foi em direção ao buraco de saída, e voltou a ficar inerte em sua posição inicial, ligado ao garra por um fio enrolado, como dos telefones dos anos 90.

Fiquei lá: parada, olhando, com a testa colada no vidro. E agora? Eu passo o cartão de novo pra puxar esse fio esticado? 

Acordei do transe. Vi a direita, um pouco a frente, os funcionários do parque recarregando outra máquina.

E agora? E se eu for ali e o
OUTRA criança aparecer e pegar MEU cocô? (que já chamo de meu, porque está mantendo o contato visual ha mais tempo do que muita gente já manteve na vida! ).

Prometi voltar com ajuda, e chamei o funcionário, que chamou a supervisora (depois de analisar o cenário). Eles abriram a máquina e disseram "acho que quebramos a máquina quando a limpamos!". A supervisora olhou pros outros e disse "pessoal, a máquina quebrou! Eu mês sem salário!". Deixei escapar um "eita", e continuei olhando. 

O rapaz ficou olhando para onde a garra deveria encaixar e tirou um pedaço de arame, eu acho. Disse que quebrou por dentro. A supervisora tirou a garra do cocô e o entregou na minha mão. "É seu, senhora! Desculpe e obrigada!". 

Fiquei olhando pra ele na minha mão. Sorrindo que nem besta. Agradeci aos funcionários e andei pra uma outra máquina onde vi uma etiqueta de "Club penguin" e lembrei que meu sobrinho Pedro tem um jogo desses personagens. Tentei pegar, levantou pela touca do bicho, e ele escorregou, nem chegou perto da saída.

Mas tudo bem, porque minha sorte torta do dia foi usada pra eu conseguir meu querido cocô!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Trauma de infância

Um dia, certamente era um sábado. Como eu lembro? Eu lembro porque eu tinha que ir à missa, aos sábados,  devido à  catequese (e se eu não fosse,  os coleguinhas de turma reparavam,  a catequista puxava a orelha na, semana seguinte,  e quase ninguém ia pela fé,  mas isso é assunto para outro post).

Então lá estava a pequena Andressa,  de 10 anos,  que sempre babou pelas máquinas de bichinhos de pelúcia,  à  missa de sábado à  tarde. Naquele dia,  eu perguntei à minha mãe se ela deixaria eu brincar em uma daquelas máquinas. Mãos especificamente a que ficava na padaria.

Não me senti tocada pelo o que o padre disse,  não lembro nem o que ele falou. Estava empolgada demais porque depois eu iria à padaria,  né?

Então cheguei lá. Não lembro quanto custava cada ficha,  mas chuto que custava 1 Real. Em um tempo que se pagava R$0,05 por um pão francês,  acho que era por isso que minha mãe achava tão caro. Hoje,  com 1 Real,  você compra um pão. E um crédito de máquina de bichinhos custa R$5,20, mais R$2,00 pelo cartão.

Coloquei a ficha na máquina que eu não sabia como controlar,  e apertei o botão ao mesmo tempo que tentei mexer a manivela,  sem sucesso. A garra nem se mexeu,  e já ficou indo pra cima e pra baixo na direção do buraco de saída.

Fiquei lá olhando pra cima e pra baixo,  meu rosto refletindo assustado no vidro que segurava aquele monte de bichinhos coloridos.

Minha mãe perguntou o que aconteceu,  eu só respondi "não sei!". Ela chamou o cara do caixa,  e ele disse que não poderia fazer nada,  que apertando o botão,  fazia a garra abaixar e pronto. É... Ele poderia dar essa explicação antes,  mas não deu. Analisando friamente,  acho que essa foi uma das primeiras vezes na vida em que "se você não disser/perguntar,  ninguém vai adivinhar". Não falei que não sabia mexer,  o cara não adivinhou,  minha mãe tbm não perguntou. Simples assim.

Simples assim como descer a rua até minha casa,  escutando os berros de bronca da minha mãe,  que nem usou o "quando a gente chegar em casa,  a gente vai ter uma conversa séria". A conversa séria já começou no caminho mesmo,  junto com meu choro.

Chegando em casa,  estava passando o programa do Bolinha na TV. Meu pai estava na sala. Eu corri pro banheiro,  tranquei a porta sancionada e continuei chorando,  com medo de apanhar. Escutei meu pai perguntar o que aconteceu,  e minha mãe gritar que eu enchi o saco dela pra comprar uma ficha pra aquela máquina e fazer tudo errado. Gastou dinheiro à toa ,  com essas merdas!

Lembro que eu demorei pra sair do banheiro,  essó sai porque ela bateu muito na, porta e eu fiquei com medo dela quebrá - la (o que daria um prejuízo bem maior do que o da ficha),  e depois disso eu esqueci. Só lembro que nunca mais tentei brincar na máquina,  nem pedia mais. Se bobear,  nem se me oferecessem eu brincaria. Mas não foi a última vez que corri pra me proteger no banheiro.

De bichinhos de pelúcia de máquinas,  eu só tinha os que um amiguinho da escola me dava,porque ele era riquinho e cansava de pega-los,  então acho que a mãe dele nem se importava com o que ele fazia com as coisas dele (ao contrário de mim,  que até hoje tenho bonecas com suas caixas,  e o reflexo de deixar as maquiagens nas caixas também,  até que a caixa se desmanche na necessaire dentro da mochila).

Depois que eu cresci,  até comprei alguns bichinhos sem precisar tentar na máquina. Comprei até bichinhos demais,  reconheço.  Depois parei.

Até que ontem chegou email do RH da empresa,  falando de uma ação super legal de um dos nossos fornecedores,  para tentarmos ganhar um mascote das olimpíadas  no Rio. Só precisava postar uma foto com a hashtag #TAMJogosRio2016. Quando me falaram "vc ganha até 3 fichas! Mas só se postar no Facebook, Twitter e/ou instagram!", eu até brinquei : "posso postar no foursquare,  swarm,  blog... O que eles quiserem! Terei direito a mais  fichas?rs...". Mas o máximo eram 3mesmo,  ainda a, contragosto da mocinha que entregava as fichas,  que olhou atravessada quase não, acreditando que eu tinha postado os 3 aplicativos.

Tentei a primeira e quase foi. Um bichinho que eu não sei o nome,  mas que tem cabelo de folhas verdes. A garra pegou pelo corpinho,  mas a cabeça dele é  pesada e ele soltou.  Na segunda ficha tentei outro,  mas não, deu,  e a terceira eu errei por excesso de zelo. Acabou o tempo e a garra desceu sozinha,  sem subir mascote algum.

Fiquei lá olhando pra máquina e lembrando dessa história que eu contei agora.  Que levou a outra. Quem quiser saber antes de eu postar aqui amanhã,  pode procurar meu instagram @andy_michels e ver as legendas das fotos que postei. Aliás,  descobri que mais gente teve trauma com essas máquinas na infância

Até amanhã!

domingo, 1 de novembro de 2015

#PAULISTA

Coisas que eu vejo na Avenida Paulista e que eu quero pra mim: eu estava assistindo à apresentação daqueles meninos que dançam como o Michael Jackson, em frente ao Center 3, e um casal recém-casado estava fazendo as fotos pós cerimônia, antes da festa. O fotógrafo chegou dançando perto dos meninos e falou para os noivos dançarem com eles, e eles fizeram mais fotos. *_*

Pense na pessoa feliz fazendo Moon walker, se fosse comigo! kkk...

Se um dia eu casar, vou olhar pra câmera, limpar o nariz com as costas da mão e perguntar "Who's bad?"!

sábado, 12 de setembro de 2015

No aeroporto

Senti a maldade no coração da moça que trabalha naquela parte de detectores de metais quando vim para o portão de embarque: coloquei a bolsa na esteira e passei pelo aparelho. Ela falou pra eu voltar e tirar a touca...
Meu coração parou por alguns segundos, escutei um "tã dãaaaan" de final de capítulo, sabe como? (obrigada ao sonoplasta pelo timing certo! 😉).
*a câmera se aproximando lentamente. *pausa dramática.
(cabe uma tela dividida aqui: mantém a primeira câmera no meu rosto)
*câmera lenta acompanhando minha mão que vai até minha cabeça. (abre mais uma divisão da tela) e...
OPÇÃO 1:
*a agente aeroportuária olhando com cara de satisfação.
*com um movimento rápido e certeiro, tiro a touca vermelha revelando cabelos macios (sedosos, que balançam lentamente como na propaganda da Elseve), a jogo na esteira, faço uma pirueta, passo novamente pelo detector de metais, dou um salto duplo por cima da esteira pegando a bolsa e a touca, olho pra câmera de segurança e pergunto "husbé?" ("who's Bad? ", em uma menção clara ao Michael Jackson).
Ou OPÇÃO 2:
*Com um movimento rápido e uma pequena confusão, quase perguntando" moça, o que eu te fiz pra vc fazer isso comigo? Se tá ruim de touca, pior sem! Já passei pela máquina e não apitou! ",
*tiro a touca procurando uma bandeja para colocá - la dentro, não encontro, a jogo dentro da máquina, passo rapidamente, pego a bolsa (completamente derrotada, como nos piores momentos das personagens da Miriam Keyes), após revelar um emaranhado de cabelos com gel e meia calça velha.
*Fico esperando alguns segundos (que pareciam horas) até a touca aparecer do outro lado. Quando eu estava quase me jogando dentro da máquina para resgatar a touca, ela aparece e vai imediatamente de volta para a minha cabeça.
*Saio quase correndo, quase enfiando a bendita touca até o pescoço para cobrir o rosto, e fico pensando que a moça do check in era bem mais legal, e só não deixou levar a minha mala na cabine porque tem um tubo enorme de laque extra forte lá dentro.
Fim.


E eu resolvi postar essa foto antes que saia coisa pior na Caras, né? 😁